
Controlador da Nintendo Revolution
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Uma grande surpresa, uma revolução a caminho. |
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Se, por um lado, é verdade que a consola da próxima geração da Nintendo tem sido apresentada às prestações, por outro, não é menos verdade que a espera tem valido a pena. Não se trata, aqui, de um caso de gostar ou de não gostar, mas é um facto que a marca japonesa prometeu que ia revolucionar com a Revolution (perdoem a redundância) e, depois do que vimos no Tokyo Game Show, a Nintendo está mesmo no bom caminho. Depois de ter sido pioneira, nos anos 80, no desenvolvimento da actual concepção que temos de controlador, com aquela coisa que seguramos com as duas mãos e que tinha os botões A e B a ter sido inventada para a velhinha NES, é a própria Nintendo que, mais de 20 anos depois, surge em força para reinventar a sua própria noção de controlador. E a revolução não podia ser mais controversa, com as duas mãos a darem lugar a uma só, ficando a segunda "guardada" para alguns acessórios extra. Segundo a Nintendo, trata-se de uma volta completa na actual forma de temos de encarar um videojogo, com a passividade de debruçar os braços sobre as pernas ou até sobre uma mesa a ser substituída de forma radical por uma interactividade constante entre jogador e máquina, entre emissor e receptor de informações constantes, através de uma forte componente sem fios que marca este controlador. Mas vamos lá ao que interessa. |
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Como é o controlador da Revolution? À partida, e de uma forma muito simplificada, o novíssimo controlador da Revolution pode ser descrito em três simples palavras: controlo remoto de televisão. Não, não estamos a brincar, pois o dito controlador é mesmo idêntico a qualquer comando de televisão que temos em casa. Se não soubéssemos que a Nintendo é mesmo capaz de uma manobra deste género, a confusão com um comando de televisão era muito mais que legítima, dada a semelhança entre ambos. Apesar de existir em mais cores, como é facilmente comprovável pelas imagens, o controlador demonstrado durante o evento em Tóquio era de cor branca, e tinha o tamanho e formato de um controlo remoto. O seu objectivo é ser segurado por apenas uma mão, e os botões do mesmo estão colocados de forma a permitir uma perfeita maneabilidade ao jogador.
Na parte superior do comando encontra-se um pequeno botão On/Off (igual ao do televisor), que tem como função ligar e desligar a consola sem grandes movimentações por parte do jogador. Um pouco mais a baixo, bem a jeito do polegar, encontramos o botão direccional, cuja função não requer apresentações. Apenas que a sua apresentação é muito simples, à imagem de todo o comando, fazendo lembrar os velhos controladores da NES e da SNES. No centro do controlador da Revolution surge um grande botão com a letra A, que é correspondido por um outro botão de grandes dimensões (em estilo gatilho) na parte de trás do mesmo, e que comporta a letra B. De volta à frente do controlador, segue-se uma linha de três botões de funções, com as designações de Select, Home e Start.
Um pouco mais a baixo, surge um dos trunfos deste inovador controlador, com dois novos botões a e b, dispostos na vertical, que significa que a Nintendo planeia utilizar também o seu controlador na posição horizontal, à boa maneira a que estamos habituados. Finalmente, a sul de toda a acção, temos umas pequenas luzinhas azuis, indicativas do número daquele controlador em específico e que, até ao momento, vai do 1 até ao 4. |
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Desenganem-se aqueles que pensam que poderão descansar uma das mãos enquanto jogam Revolution. Se, em alguns casos, isso até poderá mesmo acontecer, a verdade é que o novo controlador da Nintendo está preparado para muitas surpresas. A começar pela possibilidade enigmática de um só jogador poder utilizar até dois controladores em simultâneo, um para cada uma das mãos. Ideal para ambidestros, mas também apelativo para os utilizadores em geral. E não fica por aqui a "ajuda" da segunda mão. A Nintendo preparou muito bem o seu controlador da próxima geração e, como tal, não se esqueceu de inserir na sua parte inferior uma porta à qual podem ser conectados inúmeros periféricos. O principal deles será um pequeno aparelho que a Nintendo apelidou de expansão "nunchuk-style", que não é mais que um segundo emissor de informação para o ecrã, podendo o jogador controlar mais do que um tipo de acções em simultâneo. Para além de vir equipado com dois botões, Z1 e Z2, esta expansão traz ainda um pequeno controlador analógico, de forma a permitir, aos jogadores, uma experiência, o mais completa possível. Mas a Nintendo não quer ficar por aqui, e já é possível imaginar a quantidade de periféricos que podem vir a ser conectados a Revolution num futuro próximo. O limite será mesmo a imaginação dos criadores. Tratando-se de um controlador sem fios, a sua ligação à consola será, obviamente, efectuada através de sensores. E é aqui que vamos encontrar o ponto forte deste controlador inovador, que dá pelo nome de Direct Point Device (DPD). Através deste sistema, no qual o jogador apenas tem de apontar o controlador para a televisão, os sensores detectam não só a posição do controlador, mas também a distância a que o mesmo está do ecrã, para onde está a apontar e ainda o ângulo em que está posicionado. Depois, é só imaginar as potencialidades de um sistema deste género. A Nintendo poupou-nos algum trabalho neste campo e, no vídeo de apresentação do controlador da Revolution, deu já alguns exemplos do que se passará nas salas de todo o mundo. Alguns jogadores mexiam o controlador como se fosse um taco de basebol, outros batiam de um lado e de outro ao som das bolas de ténis. Foram também vistos jogadores a movimentar o controlador como se fosse um volante, enquanto que outros davam pequenos saltos com para cima e para baixo com o controlador ao som do que parecia ser Super Mario. Movimentos de espadas, um cirurgião a operar, enfim, de tudo um pouco foi visto em Tóquio na passada semana. Mas os objectivos da Nintendo não se ficam por aqui em matéria de jogabilidade. Não obstante as potencialidades já demonstradas, a marca japonesa quer também reconquistar os jogadores do principal género do mercado actual, os Atiradores na Primeira Pessoa. Neste sentido, a Nintendo quer ser responsável por dar um passo em frente no controlo destes títulos, e vai utilizar o seu controlador da Revolution para isso. Com a ajuda dos acessórios e da posição ideal do botão B na parte de trás do controlador, bem ao estilo de um gatilho, a Nintendo pretende que os jogadores utilizem uma mão para se movimentar e outra para apontar directamente para o ecrã, através dos sensores, disparando de imediato quando alguém inoportuno aparece no ecrã. Este tipo de jogo foi também visto na demonstração da Nintendo, com os jogadores a darem a ideia de que tinham uma arma na mão e não um controlador. Uma beldade. |
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Uma das perguntas óbvias com que a Nintendo se deparou aquando da revelação do seu controlador, foi o que fazer com os títulos que não são exclusivos para a Revolution, e como tal não estão preparados para receber o DPD, ou até mesmo os jogos antigos da marca, que poderão ser descarregados para a Revolution. Mas, uma vez mais, a resposta estava lá, e é também ela interessante. Entre os acessórios que a Nintendo está já a produzir para a sua nova consola, encontra-se um controlador da velha escola, idêntico ao da GameCube, que poderá ser conectado ao controlador da Revolution. Através de uma abertura na parte superior do mesmo, o comando da Revolution encaixa, formando apenas um, que irá aliar as funções de ambos, aumentando em muito o naipe de opções para os jogadores. Desta forma, todos os jogos, retro e não só, serão compatíveis com a nova consola da Nintendo, o mesmo se passando com todo o tipo de televisores, algo que tem se revelado um problema para algumas das consolas. Tal como foi muito badalado ao longo de vários meses, o grande objectivo da Nintendo para a próxima geração é o de conseguir trazer até aos videojogos aqueles jogadores mais casuais ou até mesmo aqueles que nunca quiseram jogar. Como a marca japonesa via na complexidade dos controladores um entrave, decidiu simplificar ao máximo o seu controlador, tornando-o tão familiar como um simples comando de televisão, algo que toda a gente está habituada a pegar e maneja com total à vontade. Mas este controlador não visa somente os não-jogadores. Um outro mercado alvo da Nintendo passa pela comunidade de estúdios e de criadores que não irão conseguir acompanhar os preços da próxima geração de software. A Revolution impõe-se como uma alternativa, bem mais barata, e a própria Nintendo compromete-se a ajudar os novos projectos que visem promover conteúdos para a sua consola da próxima geração. De acordo com a Nintendo, a inovação é a chave para o futuro dos videojogos, e ninguém pode tirar créditos à marca japonesa neste sector, que depois da Nintendo DS apresenta este controlador completamente fora do normal.
Contudo, o mercado pode não estar preparado para o impacto e para as mudanças que a Nintendo pretende estabelecer, até porque a concorrência da Microsoft e da Sony é fortíssima, com duas máquinas que mais parecem aviões da informática. Mas, no nosso entender, se os criadores estiverem dispostos a apoiar a inovação, vai continuar a haver um lugar cada vez mais especial para a lendária Nintendo neste mercado dos videojogos. |
30/09/2005